segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Os Ipês floresceram em agosto
Campos anda tão apressada que os ipês amarelos da Beira Valão andam florescendo em agosto. Não aguardaram setembro chegar. Quiseram sorrir antes do tempo previsto, colorindo a menina dos olhos de quem passa no local.
Tudo nos parece mais veloz: o tempo, o trânsito, as construções, os ipês... Esta rua está diferente! Eu não tinha visto este prédio! Uma amiga me disse perplexa: “Parece que estou morando em outra cidade.” Concordo com você, Beth.
A pós-modernidade nos traz sim essa sensação (e é realidade) de agilidade, de simultaneidade, de hipertextos, de urgência, de conexão imediata, de produção acelerada. Tudo isso nos dá, por vezes, uma certa angústia do imediato e, por outras, um frescor de quem está caminhando nas leves asas do século XXI. Deixem os ipês florescerem em agosto, apenas estão em sintonia com o tempo atual que não espera para operar mudanças, quer queiramos ou não.
Assim como nós seres humanos, a cada manhã precisamos e somos outros, sem os preconceitos de ontem, sem a velha intolerância e a incômoda preguiça de germinar. Germinar com o primeiro sol, mudar, crescer, florescer, renovar, enfeitar, criar, inventar, no tempo sem tempo, um espaço só nosso de se saber, de se ver, de ver o outro, de ver a cidade, o mundo e sentir calafrio, emoção, pois os ipês continuarão a florescer.
Eliana Garcia
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